quarta-feira, 29 de outubro de 2014

54 - Exercícios

EXERCÍCIOS 2 ANO

1. Descreva as Reformas Bourbônicas. 
2. Compare a Revolução Haitiana com a Revolta de Tupac Amaru.
3. Relacione as Guerras Napoleônicas e as Revoluções Hispano-Americanas
4. Identifique os principais líderes das Revoluções Hispano-Americanas.
5. Descreva as ideias pan-americanas de Bolívar e seus efeitos.
6. Descreva a Revolta de Hidalgo e Morelos no México
7. Explique a criação e o fracasso do Primeiro Império Mexicano (1822-1823)
8. Explique a criação e o fracasso do Segundo Império Mexicano (1864-1867)



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

53 - Texto: México no século XIX


O MÉXICO

A INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO (1810-1821)

O movimento de independência do Vice-Reino da Nova Espanha (México) foi iniciado por uma revolução camponesa de índios e mestiços liderados por Hidalgo e Morelos. Contudo, a independência só triunfou quando contou com o apoio dos criollos, liderados por Iturbide.

1810-1814. A Revolta de Hidalgo e Morelos. O México foi palco do movimento mais popular e radical do período na América espanhola, caracterizado por uma insurreição das massas camponesas indígenas e mestiças, lideradas pelos padres Hidalgo e Morelos. Hidalgo foi o primeiro líder. Afirmou agir em nome de Fernando VII mas na prática defendeu a expulsão dos espanhóis, a abolição dos tributos indígenas e a devolução de suas terras. O movimento transformou-se em uma guerra racial e os brancos (peninsulares e criollos) foram massacrados nas áreas controladas pelos rebeldes. Os espanhóis conseguiram capturar Hidalgo e o fuzilaram, em 1811. A luta continuou sob a liderança de Morelos, que abandonou a lealdade a Fernando VII e proclamou uma república independente com direitos iguais para todos e um plano de reforma agrária. Morelos também foi capturado e executado pelos espanhóis (1815).

1815-1821. A resistência guerrilheira e a independência do México. Depois do fracasso da Revolta de Hidalgo e Morelos, grupos rebeldes continuaram resistindo com uma luta de guerrilha, liderados por Vicente Guerrero e Guadalupe Victoria. O movimento de independência parecia ter pouca chance de triunfar. Os criollos estavam divididos e a facção conservadora prevalecia, defendendo a monarquia e os privilégios do clero e dos militares. O principal comandante do exército era um criollo conservador, Agustín de Iturbide, que estava preparando-se para sufocar a guerrilha anti-espanhola quando a Revolução Liberal de 1820 estourou na metrópole. A revolução, que visava reduzir a autoridade do rei, eliminar os privilégios do clero e dos militares (os tribunais especiais) e confiscar os bens da Igreja, assustou os conservadores. Temendo que as medidas revolucionárias fossem aplicadas na colônia, Iturbide e os conservadores mudaram de posição e passaram a apoiar a independência, buscando um acordo com os rebeldes. O resultado foi o Plano de Iguala (24 fevereiro 1821), um compromisso entre as lideranças criollas (Iturbide) e indígenas e mestiças (Guerrero) que proclamou a independência do México. Buscando conciliar interesses conservadores e liberais, o Plano estabeleceu as “três garantias”, que seriam protegidas pelo exército: (I) o México seria uma monarquia independente com um monarca europeu, de preferência da dinastia espanhola; (II) mexicanos (criollos, mestiços e índios) e peninsulares teriam direitos iguais; (III) a Igreja Católica manteria seus privilégios. Em setembro de 1821, a Espanha reconheceu a independência da sua colônia mais importante. Contudo, na ausência de um monarca europeu, Iturbide acabou assumindo o trono mexicano em 1822-1823 com o título de Augustin I. Iturbide tentou também dominar as colônias espanholas da América Central (1821), mas elas acabaram se separando do México para constituírem, em 1823, as Províncias Unidas Centro-Americanas (em 1838, essa federação centro-americana se fragmentou nas pequenas repúblicas da Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica). Augustín I não conseguiu apoio suficiente para se manter (o exército ficou dividido) e foi derrubado pelos militares. O México virou uma república, presidida por Guadalupe Victoria (1824-1829).


MEIO SÉCULO DE INSTABILIDADE POLÍTICA (1823-1876)

Com sua independência e o fracasso da monarquia de Itúrbide, o México passou quase meio século mergulhado na instabilidade política caracterizada por golpes de Estado, guerras civis e violentas disputas entre liberais (defensores de um Estado laico e da isonomia) e conservadores (defensores da união Estado-Igreja e de foros ou tribunais especiais para o clero e militares). Consequentemente, esse quadro instável atrasou o desenvolvimento econômico mexicano, aumentando a pobreza no país, além de deixar o México enfraquecido e vulnerável a ataques e invasões estrangeiras, resultando em perda de territórios para os EUA.

1830-1855. Predomínio dos conservadores. Destaque para o governo autoritário do general Antonio López de Santa Anna, presidente em várias ocasiões em 1833-1855. Foi nessa época que o Texas separou-se do México e o país perdeu territórios para os EUA na Guerra de 1846-1848.

1854-1855. Revolução de Ayutla. Revolução liberal liderada por Benito Juarez contra Santa Anna, que foi derrubado.

1855-1857.“La Reforma”. Reformas liberais que tentaram modernizar o México e desenvolver o capitalismo:

abolição dos foros (tribunais especiais) clericais e militares;

educação secular;

as terras comuns das comunidades aldeãs indígenas (ejidos) foram transformadas em pequenas propriedades privadas camponesas. Objetivo de criar uma camada de pequenos proprietários prósperos para dinamizar a agricultura. Fracassou: camponeses empobrecidos venderam ou perderam  suas terras para os latifundiários, que foram beneficiados;

Constituição de 1857: Estado laico, liberalismo

1857-1861. Nova guerra civil entre liberais e conservadores. Radicalização dos liberais (1859): nacionalização/confisco das terras e outros bens da Igreja. Liderados por Juarez, os liberais venceram a guerra civil.

1861-1872. Governo de Benito Juarez. Crise financeira e moratória da dívida externa. Em represália, França, Grã-Bretanha e Espanha atacaram o México. Os conservadores fizeram aliança com a França (Napoleão III) pela qual os franceses invadiriam o México para impor uma monarquia com um rei europeu, apoiada pelos conservadores e protegida pelo exército francês. Para Napoleão III, que desejava estabelecer a hegemonia da França na América Latina, foi uma oportunidade única porque os EUA estavam em guerra civil e não poderiam aplicar a Doutrina Monroe. De acordo com o projeto francês-conservador, o México seria uma espécie de “semicolônia” ou dependência da França. Os franceses invadiram o México (1862), mas Juarez escapou e organizou uma guerrilha com apoio dos EUA.

1864-1867. Monarquia do imperador Maximiliano I Habsburgo. Maximiliano não aboliu as reformas liberais, perdeu apoio dos conservadores e não conseguiu apoio dos liberais. A França acabou retirando suas tropas por causa das pressões dos EUA (com o fim da guerra civil) e a ameaça de guerra na Europa. Juarez e os liberais recuperaram o poder, derrubaram a monarquia e executaram Maximiliano.

O “PORFIRIATO”: GOVERNO DO GENERAL PORFÍRIO DIAZ (1876-1911)

Depois da morte de Juarez (1872), a luta pelo poder continuou até o general Porfírio Diaz (um dos heróis nacionais na guerra contra os franceses) conseguir ser eleito presidente. Diaz instalou um governo autoritário influenciado pelo positivismo (ideal de um governo forte ou ditatorial capaz de modernizar o país). Por meio da força, corrupção e manipulação de eleições, Diaz perpetuou-se no poder, assegurando ao México estabilidade política, desenvolvimento econômico, modernização e expansão do capitalismo dependente (exportação de matérias-primas, dependência do capital estrangeiro). O porfiriato beneficiou os latifúndios e os investimentos estrangeiros, sobretudo dos EUA na mineração. A indústria petrolífera mexicana emergiu nessa época. No entanto, no início do século XX, com o crescimento populacional e o aumento das desigualdades e da pobreza rural, cresceu a oposição ao porfiriato: grupos liberais, pressão por reformas democráticas e agrária, ascensão do movimento operário e sindical. Em 1910 eclodiu a Revolução Mexicana, um movimento popular que deixou o México mergulhado em uma década de guerra civil, culminando na instalação de um regime democrático.

 

52- Esquema: Independência do México


MÉXICO
1519-1821. ÉPOCA COLONIAL
VICE-REINO DA NOVA ESPANHA
 
 
 
 
 
 
 
 
1810-1821. GUERRA DA INDEPENDÊNCIA MEXICANA
1810-1815. REVOLTA DE HIDALGO E MORELOS
Revolução social indígena contra os criollos e espanhóis
Líderes: padres Hidalgo e Morelos
1810, 16 setembro. "Grito de Dolores": início da revolução proclamada por Hidalgo (data nacional mexicana)
1811. Hidalgo capturado (março) e executado (julho)
1815. Morelos capturado (novembro) e executado (dezembro)
1815-1821. GUERRILHA MORELISTA
Liderada pelo mestiço Vicente Guerrero
Combatida pelo general criollo Augustin Iturbide, um conservador.
1820-1823. REVOLUÇÃO LIBERAL NA ESPANHA
Contra o Antigo Regime: absolutismo do rei Fernando VII; privilégios da nobreza, militares e clero; poder da Igreja Católica
Fernando VII forçado a aceitar a Constituição de 1812, estabelecendo um regime monárquico liberal
Iturbide e os criollos conservadores ficam contra o novo regime e passam a apoiar a independência do México
1821, 24 FEVEREIRO. PLANO DE IGUALA
Aliança Iturbide-Guerrero pela independência
Criação do Exército das Três Garantias
As "três garantias" da aliança: liberdade (contra a Espanha), religião (catolicismo) e união (direitos iguais para os mexicanos)
O México seria uma monarquia constitucional com um monarca europeu (preferência Fernando VII)
Privilégios do clero e dos militares seriam preservados
 1821, 28 SETEMBRO. INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO
Problema: nenhum monarca/príncipe europeu aceitou o trono mexicano
A Espanha só reconheceu a independência em 1836
Iturbide assumiu o poder
 
1822-1823. PRIMEIRO IMPÉRIO: REINADO DE AUGUSTIN I
Fracassou: pouco apoio

1823, maio. Revolução republicana derruba Iturbide e a monarquia.

1823-1876. 50 ANOS DE CRISE

Problemas econômicas e instabilidade política

Secessão do Texas

Ataques e invasões estrangeiras (EUA, França, Grã-Bretanha, Espanha)

1855-1857. LA REFORMA

Reformas liberais reduzem o poder da Igreja

1857-1860. GUERRA DA REFORMA

Guerra civil entre liberais e conservadores

Vitória liberal
1858-1872. PRESIDENTE BENITO JUAREZ: LIBERAL

1861, maio-julho. Suspensão do pagamento da dívida externa

1861, outubro. Intervenção militar da Grã-Bretanha, França e Espanha em represália pela suspensão do pagamento da dívida

Os EUA estavam na Guerra da Secessão e não tinham condições de aplicar a Doutrina Monroe para proteger o México

1861, dezembro. Aliança entre os conservadores e a França (Napoleão III)

França invadiria e ocuparia todo o México com apoio dos conservadores

O governo liberal de Juarez seria derrubado e a monarquia mexicana seria restaurada

Napoleão III colocaria um príncipe europeu no trono mexicano, protegido pelo exército francês  (o escolhido foi o príncipe Maximiliano Habsburgo da Áustria)

O México passaria a ser uma "semicolônia" francesa, fornecedora de prata e base para iniciar a hegemonia da França na América Latina

1862-1867. INVASÃO FRANCESA DO MÉXICO

GUERRA FRANCO-MEXICANA ou SEGUNDA GUERRA DE INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO

1862, 5 maio. Batalha de Puebla: derrota francesa (data comemorativa mexicana do Cinco de Mayo)

Mas os franceses recuperaram-se militarmente e venceram os mexicanos em outras batalhas

1863, 7 junho. Os franceses tomam a Cidade do México, capital do país.

Juárez foge para o norte e se refugia na Cidade de Chihuahua, que vira a sede do governo mexicano em 1864-1867

De Chihuahua, Juárez dirige a resistência mexicana contra os franceses

1863, 10 julho. Uma Junta Governamental conservadora restaura a monarquia e proclama o Segundo Império Mexicano, com o imperador Maximiliano I (que aceitou a Coroa em outubro)

1864, 28-29 maio. Maximiliano I chega no México.

Maximiliano I reinou como um fantoche da França, totalmente dependente da presença militar francesa.

Mas ele não anula as reformas liberais, tenta conciliar sem sucesso os mexicanos e perde apoio dos conservadores, ficando mais dependente da França.

Seu reinado foi marcado pela guerra entre mexicanos republicanos (Juárez) e franceses, apoiados por um reduzido grupo de monarquistas

1865, abril. Fim da Guerra da Secessão. Os EUA passam a ajudar os mexicanos (empréstimos, armas)

1865, abril-julho. Início das vitórias militares mexicanas

1865, 3 outubro. Decreto Negro de Maximiliano I: todos mexicanos republicanos capturados na guerra seriam executados.

1866, abril. Diante da ameaça de guerra na Europa (Prússia e Áustria) e de guerra contra os EUA, Napoleão III resolve retirar as tropas francesas do México.

Maximiliano I recusou abandonar o México e tentou, com poucos recursos militares, enfrentar o avanço republicano.

1867, fevereiro. Maximiliamo I foge para a cidade de Querétaro.

1867, abril. Os republicanos reconquistam a Cidade do México.

1867, maio. Maximiliano é capturado pelos mexicanos.

1867, 19 junho. Maximiliano e os generais monarquistas são fuzilados.

 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

51 - ESQUEMA: REVOLUÇÕES HISPANO_AMERICANAS


A independência da América Espanhola

1. Antecedentes: a Espanha e seu império na América (1760-1810)


Espanha

Monarquia absolutista da dinastia Bourbon

Declínio do poder espanhol na Europa

América espanhola

  Colonização de exploração mercantilista

  Organização política

       Divisão em vice-reinos e capitanias

    Economia

      Mineração de prata: Peru-Bolívia e México

      Agricultura de exportação

    A sociedade

     Baseada na raça/etnia, nascimento e riqueza

     Brancos

PENINSULARES ou CHAPETONES: espanhóis, ocupavam os principais cargos

CRIOLLOS: colonos nascidos na América

ELITE CRIOLLA: latifundiários e comerciantes locais, ocupavam cargos inferiores como os CABILDOS (assembleias coloniais)

ASCENSÃO DOS CRIOLLOS: crescente autonomia dos cabildos, ocupação de outros cargos, influência do Iluminismo

  Castas

Mestiços e negros livres com poucos direitos

  Índios
Maioria da população, em geral camponeses

Semi-livres (servidão). Exemplo: a MITA nas minas do Peru-Bolívia (trabalho obrigatório de origem inca)

Escravidão negra

Mais importante no Caribe, Venezuela e Colômbia.

1764-1782. Reformas Bourbônicas

Feitas no reinado de Carlos III (1759-1788): "déspota esclarecido"

Motivadas pela derrota da Espanha na Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e pela necessidade de controlar a crescente autonomia/poder dos criollos
    
Modernizar o sistema colonial, fortalecer a monarquia e ampliar o controle da metrópole sobre seus territórios no Novo Mundo.

Maior intervenção da metrópole nos assuntos coloniais

Redução do poder dos cabildos: o espaço político dos criollos foi reduzido.

Aumento de impostos e mais monopólios

Pacto-colonial reforçado

As Reformas Bourbônicas foram uma espécie de “nova conquista espanhola da América”: reforçaram o controle metropolitano nas colônias

1780-1781. Revolta de Tupac Amaru

Revolução social dos índios no Peru e Bolívia

Líder: o cacique (curaca) José Gabriel Kunturkanku ou Tupac Amaru II  

Objetivos iniciais: abolição da servidão indígena, redução dos impostos e direito dos índios assumirem cargos no governo.

Virou uma luta pela restauração do Império Inca e independência do Peru-Bolívia

Guerra racial de índios contra brancos espanhóis e criollos

Fracassou: execução de Tupac Amaru

2.  As Revoluções Hispano-Americanas  (1810-1825)

Independência da América espanhola

Movimentos liberais e nacionalistas dos criollos liderados pelos CAUDILHOS, os grandes chefes políticos e militares

Principais caudilhos: Simon Bolívar (venezuelano) e San Martin (argentino)

Motivos

Crise do antigo sistema colonial

Ascensão dos criollos

Insatisfação geradas pelas Reformas Bourbônicas

Influência do Iluminismo, da Revolução Americana e da Revolução Francesa

Impacto das Guerras Napoleônicas

1808-1813. Invasão francesa da Espanha

Rei Fernando VII foi aprisionado

Revolta nacionalista espanhola contra os franceses

Colapso do poder espanhol nas colônias

Fernando VII recupera o poder (1813-1833) e tenta restaurar o domínio espanhol nas colônias

Consequências das Revoluções Hispano-Americanas

Dissolução do império colonial espanhol na América

Fragmentação da América espanhola

         Fracasso do Congresso do Panamá (1826)

Organizado por Bolívar

Ideal do pan-americanismo – união ou solidariedade dos povos americanos

 A permanência de estruturas econômicas coloniais

A independência política com pouca alteração da estrutura social e econômica

Os novos Estados passaram a ser dominados por criollos, na forma de repúblicas oligárquicas ou ditaduras